terça-feira, 22 de abril de 2008

Eu,por Fernando Pessoa(s)

Quem nunca procurou na eloquência dos grandes autores do nosso Mundo palavras para preencher o silêncio que sopra na atmosfera do seu? Provavelmente alguém que considera Sam the Kid um compositor e entende a veia artistica do Pedro Abrunhosa (a existir,penso ser atrás das orelhas:fácil de injectar em frente ao espelho e fácil de esconder com um dos seus 95673 pares de óculos de sol).
Como não sou capaz de me expressar tão bem como Dickens,Oscar Wilde ou Alberto João Jardim,mas mesmo assim tenho mais discernimento que o puto e o gajo dos óculos escuros,vou utilizar as sábias e ébrias palavras de Fernando Pessoa para o fazer.Alguém que só por ser tão complicado,às vezes consegue descrever o emaranhado de fios desligados num cérebro como o meu...

Se alguém bater um dia à tua porta

Se alguém bater um dia à tua porta,
Dizendo que é um emissário meu,
Não acredites, nem que seja eu;
Que o meu vaidoso orgulho não comporta
Bater sequer à porta irreal do céu.

Mas se, naturalmente, e sem ouvir
Alguém bater, fores a porta abrir
E encontrares alguém como que à espera
De ousar bater, medita um pouco. Esse era
Meu emissário e eu e o que comporta
O meu orgulho do que desespera.
Abre a quem não bater à tua porta.

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