"Gosto de ver as malas ali ao fundo…como era bom se em vez de peças de roupa, velhas, gastas e sem utilidade estivessem naquelas malas peças da minha vida! Assim empacotadas sem ninguém dar por elas e ao mesmo tempo desesperadamente à espera que alguém as leve e lhes dê um rumo.
Gosto de ver as malas ali ao fundo…como se fosse lixo,e por lixo quero dizer "as minhas memórias#, aquelas que decidíra expulsar de mim, aquelas que não quero ver mas me assombram nas noites gélidas, aquelas que esqueço num segundo para as relembrar todo o dia, aquelas que esqueceste para que eu pudesse sofrer pelos dois, qual mártir involuntário da própria crença.
Arrumei as gavetas com a frieza de quem organiza arquivos de uma morgue, fingindo serem partes da vida de alguém que nunca conheci, limpei todos os objectos que tocaste, e os que nem sequer chegaste perto, como se limpasse a minha alma que tu tocavas só de olhar os meus olhos, empilhei roupa antiga como se quisesse empilhar o próprio passado tão gasto por palavras vãs como os tecidos que me passam pelas mãos e roupa recente como se pretendesse livrar-me do presente: da roupa que há pouco tempo confortavelmente tocava o meu corpo…como tu.
Olho em volta e tudo tem o teu cheiro, o teu toque de veludo com a intensidade de uma descarga eléctrica, o teu sabor doce e ainda sinto os teus olhos presos em mim em cada centímetro desta quatro paredes.
Não, não te expulsei do meu espaço mas continuo a desejar que as malas que me prendem viajem sem mim com a minha, a nossa, vida dentro." by: someone
sexta-feira, 11 de julho de 2008
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